sexta-feira, 29 de junho de 2012

O ESTADO DEVE REGER A LÍNGUA?


Controlar a língua e a literatura é tentação autoritária de inquietante frequência no Brasil. A mais recente demonstração desse impulso teve fim em abril, quando o projeto de lei que baniria de escolas estaduais mineiras os livros escritos fora da norma gramatical hegemônica, ou com conteúdo imoral, acabou engavetado, após repercussão em redes sociais. Protocolado na Assembleia Legislativa de Minas Gerais em junho de 2011, pelo deputado Bruno Siqueira (PMDB), o projeto 1.983 dizia:

"Fica proibida a adoção e distribuição, na rede de ensino pública e privada do estado de Minas Gerais, de qualquer livro didático, paradidático ou literário com conteúdo contrário à norma culta da língua portuguesa ou que viole de alguma forma o ensino correto da gramática. O disposto no caput também se aplica quando o conteúdo apresentar elevado teor sexual, com descrições de atos obscenos, erotismo e referências a incestos ou apologias e incentivos diretos ou indiretos à prática de atos criminosos".

Abaixo-assinadoAo pé da letra, o texto original permitiria, no limite, até a proibição de autores como Guimarães Rosa, Clarice Lispector e Jorge Amado, por desacordo com a norma culta e temas inapropriados. Modificado, o projeto foi aprovado nas comissões de Justiça e Educação e estava à espera de votação até que o doutorando em literatura pela USP Roberto Círio Nogueira soube do projeto pelo site do deputado. Para ele, o original "abriria precedente para a proibição de praticamente toda a literatura brasileira, desde o modernismo". O assunto tomou as redes sociais e um abaixo-assinado postado por Nogueira teve 7 mil adesões em dois dias, levando o deputado a retirar o PL da pauta de votação.

- O PL não proíbe Guimarães Rosa. Há desconhecimento do processo legislativo. O original de um projeto é apresentado para debate e mudado nas discussões. Quando da polêmica nas redes, o original, que reconheço ter problemas, já havia sido mudado para "Será priorizada a adoção de livros que não contrariem a norma culta". Não falava mais em proibir livros - defende-se Siqueira.

PARA LER MAIS
: http://revistalingua.uol.com.br/textos/80/o-estado-deve-reger-a-lingua-260766-1.asp



GRILOS CRI-CRI QUIRIRI

QUIRIRI

Calor. Nos tapetes
tranquilos da noite, os grilos
fincam alfinetes.

(haikai de Guilherme de Almeida)

quinta-feira, 28 de junho de 2012

CELULARES: CONSUMO E CUSTO AMBIENTAL


Por Rafael Persan
Especial para Caros Amigos

A designer Luana Ferreira Santana, 27 anos, troca de aparelho celular três vezes por ano. A sua última aquisição foi o iPhone 4S, da Apple. “Para eu comprar um celular, ele precisa ser bonito, tirar fotos com qualidade, ter uma memória considerável, acesso à internet e ficar conectado às redes sociais”, explica Luana. Quando perguntada se sabia quais os recursos naturais eram utilizados, a resposta foi rápida: “Não faço ideia. Fiquei até curiosa agora, mas não sei não.” Mas afinal de contas, de onde vêm o celular?

O aparelho eletrônico é resultado de uma série de recursos extraídos da natureza. Para produzir componentes do celular como bateria, caixa, circuitos, fios e tela de LCD é necessária a utilização de bens naturais finitos e seus derivados como plástico (derivado do petróleo), cerâmica, cobre, níquel e zinco. Além disso, o processo industrial é longo e exige um alto consumo de energia elétrica, água e combustíveis. Dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) indicam que o Brasil terminou o mês de maio de 2012 com quase 255 milhões de celulares ativos. O número é superior à população inteira do País, que atualmente está em torno de 190 milhões. Isso indica haver 1,3 celular ativo para cada brasileiro.

“O problema ambiental não está ligado diretamente ao crescimento populacional, como muitos dizem, mas, sim, ao uso exagerado de recursos naturais”, afirma o geógrafo Wagner Costa Ribeiro. “Até quando conseguiremos manter a ilusão de que é possível produzir eternamente mercadorias que são descartadas com muita facilidade?”, pergunta ele.
Luana também tem MacBook, que adquiriu há mais de dois anos e pretende comprar ainda este ano um iPod e um iMac. “Comprei o celular por capricho, pois queria um aparelho bacana e lindo pra poder sair me exibindo por aí. Nele está tudo de mais moderno que se tem hoje em tecnologia para celular”, afirma. “Então, você passa a se perguntar: 'como sobrevivi sem um iPhone por tanto tempo?'”, brinca a jovem.
Outro problema na produção do celular é o deslocamento, pois a fábrica que produz os componentes não é a mesma que realiza a montagem do aparelho. Depois de montado, ele é embalado e transportado para as empresas que realizam as vendas. Este transporte pode ser por rodovia ou marítimo.

PARA LER MAIS: http://carosamigos.terra.com.br/index/index.php/cotidiano/2172-celulares-consumo-e-custo-ambiental

quarta-feira, 27 de junho de 2012

ANONIMATO NA INTERNET


PROJETO TOR

Software ajuda a manter anonimato na internet

26/06/2012 na edição 700
Tradução e edição: Leticia Nunes

Originalmente criado em um laboratório da marinha americana com o objetivo de proteger as comunicações do governo, o projeto Tor cresceu e se transformou em uma plataforma que ajuda as pessoas a se manterem anônimas na internet. Na semana passada, o Knight News Challenge, programa da Fundação Knight, anunciou uma injeção de verba no projeto, que deverá se estabelecer como uma base de apoio poliglota – permitindo que pessoas em todo o mundo possam obter assistência a qualquer hora.
O software é gratuito e funciona espalhando transações online pela rede. Desta forma, torna-se impossível determinar a localização de alguém com base em sua atividade online. O primeiro objetivo do Tor, em sua nova forma, é dar liberdade a quem não quer ter suas pegadas marcadas na internet, mas o Knight News Challenge acredita que ele também tem valor jornalístico. Com o auxílio do software, pessoas que vazam informações confidenciais podem proteger suas identidades, e jornalistas não precisam identificar sua localização, evitando problemas em países repressivos.
Andrew Lewman, diretor-executivo do projeto, diz que o Tor tem usuários em “todos os países do mundo que têm acesso à internet, com exceção talvez da Coréia do Norte”. Hoje, os países que mais usam o software são EUA, Itália, França, Alemanha e Espanha.

Fonte: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed700_software_ajuda_a_manter_anonimato_na_internet

ARTE URBANA CRIATIVA NAS PAREDES DA CIDADE