No sábado à noite tivemos uma demonstração de inteligência comunitária, quando as pessoas tiraram, em São Paulo, a roupa para andar de bicicleta, transmitindo a sensação de vulnerabilidade diante da idiotice motorizada.
A cidade começa neste mês uma experiência, comandada pelo Banco Mundial, para encontrar uma solução inteligente para nosso trânsito -- e vai traduzir não em corpos desnudos mas em números como somos idiotas de quatro rodas.
O Banco Mundial está começando neste mês uma experiência em dois condomínios de escritórios na cidade de São Paulo, cujo objetivo é espalhar-se pelo Brasil: fazer com que os funcionários desses prédios compartilhem seus carros.
O foco deles são o World Trade Center e o Centro Empresarial Nações Unidades.
O Banco Mundial faz muitos investimentos em transportes públicos (metrô e CPTM, por exemplo), mas está convencido de que a cidade tem de reduzir a dependência química do carro.
Daí que se vai mostrar, naqueles dois condomínios, onde está um pedaço da elite empresarial paulistana, com muitas empresas de alta tecnologia, que , como muitos funcionários fazem o mesma trajeto e no mesmo horário, o carro poderia ser compartilhado. Tudo isso é muito fácil com as novas tecnologias de informação.
Isso geraria menos dinheiro para o motorista (afinal, o custo seria compartilhado), menos engarrafamento e menos poluição. A imensa maioria dos carros na cidade tem apenas o motorista.
Se esse tipo de iniciativa se propagar, quem sabe podemos ser uma comunidade com menos idiotas de quatros rodas.
Já que o pedágio urbano tão cedo não vem (pela falta de coragem dos candidatos a prefeito), está aí uma solução óbvia que poderia ser estimulada pelos governos.(12/03/2012)
Gilberto Dimenstein ganhou os principais prêmios destinados a jornalistas e escritores. Integra uma incubadora de projetos de Harvard (Advanced Leadership Initiative). Em colaboração com o Media Lab, do MIT, desenvolve em São Paulo um laboratório de comunicação comunitária. É morador da Vila Madalena.

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