sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
POEMA DE OCTAVIO PAZ 3
PALPAR
Mis manos
abren las cortinas de tu ser
te visten con otra desnudez
descubren los cuerpos de tu cuerpo
Mis manos
inventan otro cuerpo a tu cuerpo
POEMA DE OCTAVIO PAZ 2
Octavio Paz talvez seja um dos poetas de que mais gosto. Sua capacidade de criar imagens, de recriar o mundo em palavras ou, melhor ainda, de criar um mundo em palavras, é surpreendente. Sou um apaixonado pelo poder de condensação de alguns dos seus poemas. É possível captar, fotografar, retratar um meio-dia qualquer como ele faz ? Só mesmo os grandes poetas...
MEDIODÍA
La luz no parpadea,
El tiempo se vacía de minutos,
Se ha detenido un pájaro en el aire.
MEIO-DIA
A luz não pisca,
O tempo se vazia de minutos,
se deteve um pássaro no ar.
(Francisco Carvalho, pedindo humildemente licença a Octavio Paz
para pobremente traduzi-lo)
MEDIODÍA
La luz no parpadea,
El tiempo se vacía de minutos,
Se ha detenido un pájaro en el aire.
MEIO-DIA
A luz não pisca,
O tempo se vazia de minutos,
se deteve um pássaro no ar.
(Francisco Carvalho, pedindo humildemente licença a Octavio Paz
para pobremente traduzi-lo)
POEMA DE OCTAVIO PAZ
DESTINO DEL POETA
¿ Palabras ? Si, de aire,
y en el aire perdidas.
Déjame que me perda entre palavras,
déjame ser el aire en unos lábios,
un soplo vagabundo sin contornos,
breve aroma que el aire desvanece.
También la luz em sí misma se perde.
¿ Palabras ? Si, de aire,
y en el aire perdidas.
Déjame que me perda entre palavras,
déjame ser el aire en unos lábios,
un soplo vagabundo sin contornos,
breve aroma que el aire desvanece.
También la luz em sí misma se perde.
DESTINO DO POETA
Palavras ? Sim. De ar
e perdidas no ar.
Deixa que eu me perca entre palavras,
deixa que eu seja o ar entre esses lábios,
um sopro erramundo sem contornos,
breve aroma que no ar se desvanece.
Também a luz em si mesma se perde.
Palavras ? Sim. De ar
e perdidas no ar.
Deixa que eu me perca entre palavras,
deixa que eu seja o ar entre esses lábios,
um sopro erramundo sem contornos,
breve aroma que no ar se desvanece.
Também a luz em si mesma se perde.
FALANDO DO POETA MEXICANO OCTAVIO PAZ
Octavio Paz
Nasceu na Cidade do México (México) em 1914. Ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1990. Foi poeta, ensaísta e ardente antifascista nos anos anteriores e durante a Segunda Guerra Mundial, nessa época escreveu a coleção de poemas “Bajo tu Clara Sombra”. Manteve contato com personalidades importantes como Pablo Neruda, Xavier, Albert Camus, entre outros. Cultivou o surrealismo e sua obra poética tem importância, não só como poesia, mas como reflexão sobre todo âmbito da ocupação poética. Seu interesse pelas culturas primitivas levou-o em 1951 à Índia, onde viveu durante anos, como embaixador. Renunciou em 1968, em sinal de protesto ao massacre na Praça das Três Culturas (Tlatelolco), quando o governo mexicano reprimiu à bala manifestação estudantil durante os Jogos Olímpicos.
Entre seus trabalhos poéticos de fim de século estão: “La Llama Doble”; “Amor y Erotismo”; “Vislumbre de la India”. Nos últimos anos, de sua vida, publicou intensamente, interveio (não para a alegria de todos) nos rumos de seu país, organizou suas obras completas, acrescentou-lhe, poemas, ensaios e memórias. Morreu na capital mexicana em 1998.
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
A Cultura Deve Ser Uma Descoberta Individual de Cada um de Nós
Não se deve intervir, não nos devemos meter nos problemas que cada um tem com a leitura. Não devemos sofrer por causa das crianças que não leem, perder a paciência. Trata-se da descoberta do continente da leitura. Ninguém deve encorajar nem incitar outra pessoa a ir ver como ele é. Já existe excessiva informação no mundo acerca da cultura. Devemos partir sós para esse continente. Descobri-lo sozinhos. Operarmos sozinhos esse nascimento.
Todas as obras-primas do mundo deveriam ser encontradas pelas crianças nos despejos públicos, e lidas às escondidas dos pais e dos mestres.Por vezes, o fato de se ver alguém a ler um livro no metrô, com grande atenção, pode provocar a compra desse livro. Mas não quanto aos romances populares. Aí, ninguém se engana quanto à natureza do livro. Os dois gêneros nunca estão juntos nas mesmas mãos. Os romances populares são impressos em milhões de exemplares. Com a mesma grelha aplicada, em princípio, há uns cinquenta anos, os romances populares desempenham a sua função de identificação sentimental ou erótica. Depois de os terem lido, as pessoas abandonam-nos nos bancos públicos, no metrô, e serão apanhados por outras pessoas e novamente lidos. Isso será ler? Sim, penso que sim, é ler como se toma um remédio, mas é ler, é ir buscar a leitura ao exterior de si próprio e ingeri-la e fazê-la sua e dormir e cair no sono para, no dia seguinte, ir trabalhar, juntar-se a milhões de outras pessoas, a solidão matricular, o esmagamento.
Marguerite Duras, in "Mundo Exterior "
Não se deve intervir, não nos devemos meter nos problemas que cada um tem com a leitura. Não devemos sofrer por causa das crianças que não leem, perder a paciência. Trata-se da descoberta do continente da leitura. Ninguém deve encorajar nem incitar outra pessoa a ir ver como ele é. Já existe excessiva informação no mundo acerca da cultura. Devemos partir sós para esse continente. Descobri-lo sozinhos. Operarmos sozinhos esse nascimento.
Todas as obras-primas do mundo deveriam ser encontradas pelas crianças nos despejos públicos, e lidas às escondidas dos pais e dos mestres.Por vezes, o fato de se ver alguém a ler um livro no metrô, com grande atenção, pode provocar a compra desse livro. Mas não quanto aos romances populares. Aí, ninguém se engana quanto à natureza do livro. Os dois gêneros nunca estão juntos nas mesmas mãos. Os romances populares são impressos em milhões de exemplares. Com a mesma grelha aplicada, em princípio, há uns cinquenta anos, os romances populares desempenham a sua função de identificação sentimental ou erótica. Depois de os terem lido, as pessoas abandonam-nos nos bancos públicos, no metrô, e serão apanhados por outras pessoas e novamente lidos. Isso será ler? Sim, penso que sim, é ler como se toma um remédio, mas é ler, é ir buscar a leitura ao exterior de si próprio e ingeri-la e fazê-la sua e dormir e cair no sono para, no dia seguinte, ir trabalhar, juntar-se a milhões de outras pessoas, a solidão matricular, o esmagamento.
Marguerite Duras, in "Mundo Exterior "
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